Acompanhando James Bradberry no primeiro jogo

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Esse texto é resumido e traduzido do Tyler Dunne, escrito para o Bleacher Report.  Artigo completo e em inglês pode ser lido aqui.

DENVER – Seus olhos estão gelados, sua voz seca.

“Eu fudi tudo. É isso. Eu fudi tudo.”

James Bradberry arruma a sua mala para ir embora. Ele checa o seu celular e encosta na parede. Ninguém dos defensive backs fala nada durante 10 minutos depois da derrota dolorida por 21-20 contra os Broncos.

Para os veteranos, as memórias da derrota no SB voltam à tona como uma ressaca.

Para o novato Bradberry, essa era a grande estreia. Uma chance de se apresentar para o mundo. Foram 76 mil pessoas no Sports Authority Field e mais 25,4 milhões assistindo em casa. O garoto que jogou para apenas seis mil pessoas na abertura da temporada passada em Samford agora estava no Primetime substituindo o cornerback mais bem pago na NFL, vestindo o mesmo número 24.

Foi tão ruim quanto ele pensa que foi?

Na verdade, não foi o fim do mundo. Thomas teve apenas 4 recepções para 48 jardas. Mas o pior medo de Bradberry é desapontar os seus companheiros, então as piores jogadas voltam na sua cabeça.

Como no touchdown de 25 jardas de Anderson no screen. Bradberry pega os meus cotovelos e finge empurrar, demonstrado como o Thomas conseguiu segurá-lo por tanto tempo.

Não, Bradberry não estava nervoso. Ele jura.

Mas estava barulhento. Era tanto barulho que ele precisava gritar pros defensive backs que estavam do seu lado no banco.

Sua cabeça estava latejando. Bradberry nunca jogou numa altitude parecida com aquela.

“Meu capacete,” ele diz, “estava apertando minha cabeça.”

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Jack Dempsey / AP Photo

“Eu só estou cansado, de verdade. Foi um longo jogo.”

No outro corredor, está lá seu nêmesis, Demaryius Thomas, ele admite que segurou Bradberry no touchdown, os árbitros estavam preocupados com outras coisas e eles geralmente ignoram os recebedores no final do campo, confessa o recebedor.

Em Bradberry ele notou algo diferente.

“Se ele continuar trabalhando, o potencial dele está ali. É só uma questão do quão pesado ele treina. Eu não joguei muitas vezes com novatos como ele. Ele vai ser um ótimo jogador.”

Um jogo a menos. Faltam 15.

Domingo, 4 de Setembro.

Como o próprio Bradberry explica, ele sempre foi desconhecido, não desejado. Uma vez, o treinador de Clemson visitou a escola de Bradberry e os dois assistiram tapes juntos. Na cabeça do jogador aquele momento foi perfeito, sem falhas. O treinador lhe deu um cartão, foi embora e nunca mais lhe contatou.

Vanderbilt para ele seria perfeito. Tinha uma boa média escolar, então teria os atrativos acadêmicos para faculdade. Baseando-se nisso, enviou o cartão de inscrição para faculdade e recebeu um de volta dizendo “Você não é rápido o bastante para SEC(Conferência Universitária), boa sorte!”.

Ele gostava de Middle Tennessee State, mas trataram ele como última opção, contatando ele apenas 48 horas antes do Signing Day, ele se sentiu mal com esse tratamento e rejeitou a ligação.

Indo para Arkansas State pensou que jogaria na posição que tanto ama(Cornerback). Mas os treinadores rapidamente decidiram que ele teria que fazer uma transição para posição de Safety.

Na semana seguinte a essa decisão, Bradberry estava acatando a decisão, mas em determinado dia marcou uma reunião às 18 horas com Coordenador Defensivo e Treinador de Safeties. Ele contou para os treinadores sua vontade de se transferir, os treinadores tentaram convencer sua permanência falando entre outras coisas “Você nunca vai ter valor jogando como Cornerback”.

Segundo Bradberry sua reação foi “No início pensei que estava cometendo um erro grave, que deveria permanecer, mas quando começaram a falar essas coisas, eu pensei “Nah, eu vou embora mesmo!”

Então, Bradberry se transferiu para Samford, jogou 4 temporadas como titular na posição de Cornerback e com isso, os Panthers o selecionaram na 62ª posição geral(2ª rodada do draft). Ele não esperava sair tão cedo no draft, tanto que estava consertando a privada da sua mãe quando recebeu a ligação dos Panthers. Bradberry é alto, com grande envergadura e os Panthers tinham a certeza que ele tinha sido feito sob medida para a nossa defesa.

Norman saiu. Bradberry entrou. “As pessoas falam que por conta de eu ter vindo de uma faculdade pequena eu não sou capaz de competir com os que vêm de faculdades maiores e que não posso competir no nível da NFL. Eu posso competir com qualquer um”. Após uma enxurrada de perguntas sobre a saída de Norman dos repórteres, Bradberry desabafou “Cara, isso é frustrante. Porque eles sempre perguntam sobre Josh Norman. É mais um motivo para eu estar pronto para o jogo de quinta(contra os Broncos). Espero que eu consiga colocar tudo isso de lado.”

Segunda-feira, 5 de Setembro

Bradberry chega no centro de treinamento do Panthers às 7 da manhã e só sai de lá as 18 horas, volta pra casa e assiste tapes do Demaryius Thomas no seu Kindle.

Thomas vence um cornerback dos Chiefs em um lançamento back-shoulder.

“Eu preciso ficar atento nos seus ombros, quando eles se viram, você tem que virar junto.”

Thomas queima o CB 1 dos Lions, Darius Slay em um touchdown de 45 jardas em uma quarta descida.

“Você não pode deixar ele ficar atrás de você.”

Em um jogo na neve, contra os Patriots, Thomas faz a recepção em uma bola longa acima da cabeça de Logan Ryan. “Você precisa fazer a jogada.” Contra Pittsburgh, ele usa o seu braço de ferro para mandar o defensive back para o chão. “Você precisa reagir a essa mão rapidamente e tirá-la.”

Terça-feira, 6 de Setembro

Bank of America Stadium

Na véspera da viagem para o jogo contra Denver, ninguém está preocupado com Bradberry.

“Ele é um grande jogador,” disse Bené Benwikere. “Ele estará focado e no lugar certo. Acho que ele será melhor do que muita gente espera.”

“Ele é um dos melhores corners novatos que eu já vi.” Disse o WR Philly Brown. “Ele é maduro, ele não sabe tudo ainda, mas no campo ele mostra sua capacidade, ele joga rápido e está jogando confiante.”

Benjamin: “Não há nenhum tipo de tamanho de receiver que ele não está confortável jogando. Vai ser uma batalha. Como um jogador novo, ele tem que estar sempre atento. E tem que esquecer quando errar alguma coisa e ir para a próxima jogada.”

Ron Rivera: “Ele tem um ar de confiança… Ele não se importa contra quem ele está jogando. Ele só quer ir lá e competir.”

james-bradberry-autografandoJimmy Brevard / USA Today Sports

Mais cedo na semana, um veterano foi além.

“Se você olhar bem pra ele de uniforme, ele parece com o Josh, sem o cabelo longo e com a pele um pouco mais escura.” Disse Ginn. “Seu press game é fantástico. Por ser um rookie, seu press é realmente muito bom. Eu acho que se ele ficar paciente e jogar jogada após jogada, ele será um grande jogador nessa liga.”

Quinta-feira, 8 de setembro. Gameday.

Bradberry dormiu bem, e o dia do jogo parece que o tempo passa muito rápido para ele

“O tempo não para.” Ele diz para si mesmo. “Eu preciso parar por um segundo.”

A sua mãe manda uma mensagem “Eu te amo” durante a manhã  e “Estou orgulhosa de você não importa o que aconteça.” a noite. E a próxima coisa que ele percebe é que já está de uniforme para o jogo. Naquele número 24.

Sim, há jogadas que ele gostaria de fazer melhor. 3 em particular.

  • Quando Anderson fica um a um com ele, Bradberry contém o outside mas CJ Anderson faz um juke move e ganha 28 jardas.
  • Na jogada de touchdown de 25 jardas do Anderson, Bradberry ficou preso no bloqueio do Thomas. Denver diminuiu para 17-14.
  • No próximo drive dos Broncos, o safety Tre Boston desviou a bola que Bradberry podia ter interceptado na linha de 3 jardas, mas não ele conseguiu se virar a tempo de fazer a interceptação. Denver marcou o touchdown logo em seguida. 21-17.

Ele também cometeu 2 faltas. Bradberry disse que poderia ter interceptado Siemian no primeiro período também

Derrota de Carolina.

Bradberry assiste Graham Gano errar a tentativa de field goal. Ele procura Thomas parar cumprimentar seu adversário da noite. Thomas diz para ele continuar trabalhando.

“Eu fudi tudo..”

Antes de embarcar no ônibus do time, Bradberry conversa com seu agente. Bradberry tem problemas para respirar. Parece que fumou um maço inteiro de cigarros. Ele já tinha jogado em altitude antes, mas não como Denver.

“Eu estava tossindo lá. Essa atitude, cara. Meu peito dói.”

Bradberry olha para o celular e vê milhares de mensagens no facebook e tweets, a maioria de apoio, mas algumas criticando o cornerback e comparando com Josh Norman.

Seu agente sabe qual a mensagem que mais importa.

“Sua mãe me ligou, ela disse que você jogou bem.”

Bradberry sorri pela primeira vez depois do jogo.

*Colaboraram João Marcelo Thalhofer e Iago Braga

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Sobre o Autor

Fã de Carolina Panthers desde 2011, Felipe é programador e se aventura como Running Back nas peladas tentando incorporar o espírito de Jonathan Stewart, mas o máximo que consegue é ser um Trent Richardson. Twitter: @lipevieira

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