Além do Vince Lombardi, o que mais foi perdido na noite de 07/02/2016?

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Vamos analisar objetivamente, através de poucos dados, como foram as últimas temporadas do time, chegando até o momento atual.

2015/2016, Campeão da NFC com um record de 15 vitórias e apenas 1 derrota, chegando ao Superbowl 50.

2016/2017, “lanterna” da NFC South com um record de 6 vitórias e 10 derrotas.

2017/2018, temporada em andamento e o record atual é de 4 vitórias e 3 derrotas, porém, com um acúmulo de erros preocupante.

Se fosse uma empresa comparando resultados anuais, o gráfico apresentado no telão seria mais ou menos assim:

DesesperoQueda de resultados

Claro que os resultados assustam e causam desgosto, além de preocupação. Mas o que tem tirado o sono do torcedor do Carolina Panthers na verdade, é a impressão de que estamos sem direção. Veja só o tamanho da bagunça… “sem direção” nos dois sentidos da palavra! Seria cômico, se não fosse trágico.

Sabemos que cada temporada tem suas peculiaridades, como lesões de jogadores importantes, calendário difícil ou até mesmo uma “ressaca” pós-derrota de Super bowl. Tudo isso pode e deve ser levado em consideração, mas existem nessa pequena amostra de duas temporadas e meia, alguns pontos negativos em comum que foram ganhando espaço e importância na equipe, e hoje, dão sinais de que podem, a qualquer momento, desencadear o fim de um ciclo promissor. Estamos falando do mal gerenciamento do Roster, da falta ou erro de planejamento e também de problemas com o Coaching Staff.

Em 2015 tínhamos um calendário considerado “favorável” pela frente, mas ainda no training-camp, em Agosto, Kelvin Benjamim sofreu uma lesão no joelho esquerdo que o tirou da temporada antes mesmo de começar. Perdemos ali nosso WR1 e não confiávamos em Ted Ginn Jr para fazer uma boa campanha. Muitos decretaram o fim da temporada para o time, que surpreendentemente, foi campeão da NFC e chegou ao Super bowl com propriedade.  Foi uma temporada quase perfeita. Quase, porque na partida mais valiosa da temporada, contra a forte defesa do Denver Broncos, não conseguimos pensar fora da caixa e surpreender o adversário. A defesa nos manteve no jogo, Peyton Manning não brilhou, e a garra e determinação de Thomas Davis (jogou com uma fratura no braço) inspirava todos os jogadores, mas o ataque, outrora fulminante, esteve nas mãos de Von Miller a noite toda. Nada foi feito para mudar o panorama do jogo, ou melhor, não mudamos a dinâmica do nosso ataque, não aplicamos conceitos diferentes e continuamos jogando o jogo que Wade Phillips, Defensive Coordinator dos Broncos, desenhou para nós. Algo mais ou menos assim:ARMADILHA

Nessa ilustração, Wade Phillips é a Lisa (foi quem criou a armadilha), Bart representa Cam Newton executando as chamadas de Mike Shula/Ron Rivera e o Cupcake faz o papel de Von Miller (com a mesma eficiência).

Essa situação ficou evidente, como pode ser visto nesse artigo. Para nós torcedores, além da dor restou a dúvida:

– Não conseguimos mudar a dinâmica do ataque ou não tentamos? Se tentamos, por que falhamos miseravelmente?

Essa preocupação com a capacidade criativa do nosso Coaching Staff já causava calafrios, mas Dave Gettleman nos surpreendeu ao não renovar o contrato de Josh Norman, Cornerback que foi destaque da equipe na campanha anterior. Alguns ainda refletem sobre isso quando colocam a cabeça no travesseiro.

Oh god why
Essa nova frustração acabou sendo benéfica para Ron Rivera e Mike Shula, que viram a revolta da torcida se virar para Dave Gettleman.No Draft de 2016, trouxemos Bradberry para o lugar de Norman, e o calouro se mostrou uma ótima opção para o setor, mas ainda sofremos com as lesões de Luke Kuechly e Kurt Coleman, e tivemos a dispensa de Bené Benwikere no início da temporada. Ou seja, não pudemos contar com o líder da Defesa, e nossa secundária estava nas mãos do contestado Safety Tre Boston (dispensado nessa temporada), que se juntou aos dois cornerbacks calouros, Brad e Worley.

Num ambiente corporativo, estaríamos discutindo sobre erros ou falta de planejamento a essa altura. Mas essa situação, apesar de emblemática, não fecha o pacote de trapalhadas da temporada 2016/2017. O ataque, liderado por um Cam Newton sem confiança e desprotegido, devido a já conhecida falta de qualidade na linha ofensiva, ainda teve de lidar com a ausência do Left Tackle  Michael Oher, e posteriormente com uma lesão no ombro do próprio Quarterback. Temporada Apocalíptica.

Tantos ingredientes fizeram com que Shula e Rivera ganhassem um “voto de confiança”, já que se atribuiu o fiasco às lesões e “falta de material” para mudar a dinâmica desse ataque, além da ausência de Josh Norman. Mas apesar de ofuscada pelo caos da desorganização, a falta de criatividade que apareceu no Super bowl 50 estava lá, no meio de toda essa bagunça.

Que venha a temporada de 2017/2018.

O Draft de Christian McCaffrey e Curtis Samuel, escolhas de primeira e segunda rodada respectivamente, trouxe a esperança de que o ataque poderia ganhar velocidade e agregar conceitos mais ousados, além de proporcionar alívio na pressão ao QB, já que ambos podem ganhar jardas pós-recepção, percorrer rotas curtas e alinhar no Back Field como ameaça no jogo terrestre. Grande parte da torcida ficou eufórica.
Além dos dois prospectos já citados, fomos atrás de Taylor Moton (Tackle), Daeshon Hall (Defensive End), Corn Elder (Cornerback), Alex Armah (Fullback) e Harrison Butker (Kicker).

Se não foi perfeito, o Draft de 2017 foi no mínimo muito bem feito. Chegou a hora de Shula e Rivera mostrarem que podem fazer esse ataque ser brilhante!

Ron hein
Durante a Off-Season, novamente uma ingrata surpresa. Lesionado desde o final da  temporada regular, Cam Newton foi encaminhado para uma cirurgia no ombro. Vamos lá… Um atleta profissional, de fundamental importância para a equipe e que tem como característica um jogo extremamente físico, foi mantido em campo lesionado, para disputar nada, já que não havia chance de irmos aos playoffs. Compreendem?

A tão sonhada mudança de dinâmica no ataque sofria ali seu primeiro golpe. O training camp seria fundamental para consolidar o novo ataque, e Cam não pôde estar lá, única e exclusivamente por falha da comissão técnica, que não tomou a frente da situação para preservar o atleta, bem como todo o planejamento para a temporada seguinte. Como não taxar de amadora essa postura?
Se fosse você cometendo um erro desses, que compromete todo o planejamento do ano seguinte na empresa em que trabalha, ainda estaria na empresa?

Passadas 7 rodadas da temporada 2017/2018, temos Corn Elder e Daeshon Hall na IR (injured reserve), e perdemos Harison Butker, preterido por Rivera, pois este “confiou” a posição  de Kicker ao já contestado Graham Gano, reforçando assim a sua cultura Felipe Scolari, onde prevalece a lei do mais antigo e não do melhor. Como dito anteriormente, o acúmulo de erros nessa temporada assusta e tira o sono do torcedor.
Hoje adicionamos Roberto Aguayo ao Practice Squad, pois tudo indica que Gano está lesionado e não estará apto para jogar na semana 8. Isso ocorre ao mesmo tempo em que Harrison Butker faz uma temporada extraordinária com os Chiefs.

E para deixar a bola de neve maior e mais vistosa, estamos vindo de uma derrota humilhante para os Bears, onde o ataque anotou incríveis 3 pontos, cometeu 3 turnovers e correu para uma média de 3.6 jardas em 30 tentativas, sendo que 50 jardas foram conquistadas por Cam Newton. Entre as já tradicionais corridas pelo meio e a falta de trickplays ou algo mais elaborado, Shula resolveu que numa 4&2, contra 9 defensores no Box, deveria correr com a bola pelo meio, obviamente, e assistiu Cam Newton bater no muro e voltar.
Abordamos a suposta falta de criatividade de Shula aqui no Panthers  Brasil, após o ótimo jogo contra os Lions em Detroit (http://panthersbr.com/precisamos-falar-sobre-mike-shula/). Com duas partidas produtivas, contando com boas chamadas, Felipe Vieira concluiu bem a matéria dizendo Pelo menos até Quinta-feira, Shula merece nossos aplausos. Vida de coordenador ofensivo é ingrata.E foi!

 

Temporada rolando e o ataque tá como, Cam?

Não podemos colocar tudo nas costas de Shula, mas ele precisa trabalhar melhor o que tem nas mãos. Se não consegue ser engenhoso sempre, que seja quando for necessário. Mas tem algo acontecendo em Charlotte e Shula parece ser apenas uma parte disso. Como frisamos no post sobre Mike Shula, às vezes a jogada é muito bem desenhada, porém muito mal executada. O motivo da ineficiência na execução dessas jogadas parece ter sido revelado por Kelly Davis, esposa do monstro Thomas Davis. Em entrevista para Morgan Fogarty, Kelly deixou no ar que alguns jogadores não estão se dedicando nos treinamentos:

“If you’re throwing interceptions in practice, if you’re a receiver and you’re dropping balls in practice,if you’re not running the right routes in practice, whatever is going on in practice, that’s what you’re gonna get…”
Se você está lançando intercepções nos treinos, se você é um receiver e você está dropando bolas no treino,se você não estiver executando as rotas certas no treino, o que quer que esteja acontecendo nos treinamentos, é isso que você vai conseguir …”

KELLY DAVIS

Kelly Davis, de vestido preto ao fundo.

“…So there needs to be some changing, not just on the play calling but also on individual players and their jobs.”
“…Portanto é necessário algumas mudanças, não apenas no play calling mas também nos jogadores individualmente e seus trabalhos.”

Kelly deixou claro que não quer dividir o time em dois grupos, mas ela discorre sobre o assunto de maneira bem contundente e mesmo não citando nomes, deixa a postura do time de ataque nos treinamentos em cheque.

Pra quem assiste aos jogos e acompanha como pode o dia a dia da equipe, as palavras de Kelly soam como
uma leitura fiel da situação. Não vemos vibração no ataque durante os jogos, e a vibração não está lá durante os treinos também… “whatever is going on in practice, that’s what you’re gonna get…”.
Onde está Ron Rivera nisso tudo? Cadê a direção? E Jerry Richardson???

Estamos preocupados porque o “Riverboat” parece estar à deriva e não vemos uma reação sequer. O que mais foi perdido naquela noite de 07 de fevereiro de 2016, além do troféu Vince Lombardi? Desde então, as decisões tomadas foram ridículas, o comando se perdeu e o brio do time está se esvaindo…

Talvez a entrevista de Kelly Davis mexa com o brio de alguns, talvez faça um estrago maior e rache o grupo, ou quem sabe Ron Rivera nem assista a entrevista (missed opportunities) e continue transbordado tranquilidade em meio ao caos.

Se fosse uma empresa, teria uma fila no RH…

Evitaremos o clima de que tudo está perdido, mas não vamos nos privar de pedir mudanças. A esposa de Thomas Davis cobrou postura e dedicação dos jogadores de ataque. Era função de Ron Rivera, mas ao que parece… ele perdeu a oportunidade.

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Sobre o Autor

Fã dos Panthers desde 2012, tem como ídolos Luke Kuchly, Thomas Davis e Cam Newton.

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