Dando nota aos calouros

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Calouros.

Um dos melhores drafts da história da franquia?

Após um início de pré-temporada desastroso, como bem sabemos, há cerca de um ano atrás nos encontrávamos em uma posição em que as escolhas do draft seriam fatores determinantes para um eventual retorno aos playoffs.

Perdemos todos os wide receivers do elenco (Steve Smith, Brandon Lafell, Ted Ginn Jr, Domenik Hixon), os principais playmakers da secundária (Captain Munnerlyn, Mike Mitchell, Drayton Florence, Quintin Mikell) e peças imprescindíveis da linha ofensiva (Jordan Gross e Travelle Wharton). Dessa forma, a necessidade de um draft com jogadores que fizessem impacto imediato, desde a semana 1, era de extrema importância para uma temporada de sucesso.

Faltando pouco mais de 2 meses para a chegada do 2015 NFL Draft é oportuno avaliar como se portaram nossos calouros, escolhidos no último evento, que obtiveram grande destaque e foram o principais fatores para o renascimento da franquia ao final da temporada.  Vejamos.

 

WR Kelvin Benjamin: 1st round, 28th pick – NOTA 9

Antes que os críticos venham dizer sobre os drops de Benjamin devemos nos atentar a um fato: Kelvin Benjamin excedeu todas às expectativas. Seus problemas com drops e as preocupações acerca sua falta de motivação já eram de conhecimento do público antes do Draft que o trouxe a Charlotte. No entanto, sua ótima produção e seu carisma fizeram-no cair nas graças da torcida e da mídia, mesmo ofuscado pelos demais calouros que formaram a melhor classe de recebedores da história da NFL.

Os números de sua temporada falam por si só: 1009 jardas recebidas e 9 touchdowns. Apesar de sofrer com drops cruciais e partidas inconsistentes em alguns momentos da temporada, é inegável que teve uma temporada espetacular. Convém ressaltar que teve momentos espetaculares com recepções cruciais espetaculares, e não foram poucos esses momentos. Sua performance durante toda temporada foi coroada com ótima partida na final divisional contra o Seattle Seahawks. Em um ataque que perdeu todos seus recebedores para a temporada, o recebedor de 1,95m foi o WR1 mais produtivo desde 2012 para a franquia de Carolina.

 

Números de KB em 2014.

 

 

Melhor momento: Recepção impressionante contra marcação dupla contra o Seattle Seahawks. Detalhe: Richard Sherman e Earl Thomas na marcação.

https://www.youtube.com/watch?v=xgT1a_qxP6I

 

DE Kony Ealy: 2nd round, 60th overall – NOTA 7.5

Os que esperavam maior impacto de Kony Ealy durante a temporada devem entender as dificuldades que os calouros de sua posição possuem para adaptar-se à dinâmica profissional. Charles Johnson, por exemplo, que ano após ano tem performances excepcionais, demorou anos para se ajustar à NFL: Em sua primeira temporada jogou apenas em três jogos e nada fez. Em sua segunda temporada obteve 25 tackles e 6 sacks, em 16 jogos. E em sua terceira temporada obteve 4 sacks. Só em sua quarta temporada foi aquele Charles Jonhson que estamos acostumados, com 11.5 sacks.
Com um começo lento – muito prejudicado pela fraqueza da linha defensiva com as suspensões de Frank Alexander e, sobretudo, Greg Hardy e com a incapacidade de Charles Johnson ainda debilitado por contusão – Ealy demonstrou um enorme crescimento e potencial no decorrer da temporada, tanto na defesa do jogo corrido quanto nas pressões ao QB adversário. Teve ótimas atuações nas últimas 5 semanas, mesmo limitado pela rotação de defensive end, obtendo 3 sacks e um fumble forçado nas últimas três semanas.

Terminou o ano com 4 sacks , 11 tackles, números não tão impressionantes. Algumas deficiências de seu jogo devem ser ajustados para as próximas temporadas. Sem dúvida um jogador que esperamos muito para o futuro. Demonstrou ter talento e força.

 

Números de Kony Ealy.

 

Momento.

Melhor momento: Sack e fumble forçado na semana 15 contra o Tampa Bay Bucaneers.

 

 


OG Trai Turner: 3rd round, 92th overall – NOTA 8.5

Um garoto de 21 anos que, mesmo batalhando contra contusões durante a temporada, demonstrou enorme potencial e foi um dos principais jogadores na linha ofensiva no final da temporada. Durante sua excelente sophomore season, analistas viam no jovem uma potencial escolha de 1º round no Draft de 2015 ou 2016. Entretanto, o jogador abdicou de mais um temporada de experiência no college football e se declarou elegível ao draft com apenas 20 anos.

Lutando contra contusões durante a temporada, fato que rebaixou sua nota, jogou três jogos como titular até a semana 11. A partir desse jogo se acertou no lado direito da linha ofensiva e foi excelente como esperávamos. Não cedeu nenhum sack durante toda temporada e ajudou muito no ressurgimento do jogo corrido com Jonathan Stewart.

Com tamanho potencial, sem dúvidas, estaremos bem servidos na posição do right guard nos próximos anos.

 

Trai turner

 

 

Melhor momento: Na semana 11 contra o Atlanta Falcons, retornou de contusão e não mais saiu do time titular, trazendo segurança ao lado direito da linha ofensiva que vinha mal.

 

S Tre Boston: 4th round, 128 overall – NOTA 7.5

Uma excelente escolha nessa posição do draft. Batalhou contra contusões por boa parte da temporada e entrou no time titular trazendo maior segurança para a secundária, após as péssimas atuações de Thomas Decoud. Foi um bom jogador nas partidas finais, obtendo big plays e trazendo esperança para o torcedor na posição para os próximos anos.

Apesar de ter demonstrando algumas deficiências, principalmente nos jogos de playoffs, demonstrou ter bons instintos e excelentes atributos atléticos. Um jogador de grande velocidade e muito potencial que brigará pelo posto de starter na próxima temporada. Na pior das hipóteses será um ótimo jogador para rotação.

 

Tre boston

 

Melhor momento: Como esquecer  sua interceptação  extraodinária contra o Atlanta Falcons na Semana 17 que nos trouxe o título da divisão e nos encaminhou aos playoffs?

 

CB Bené Benwikere: 5th round, 148 overall – NOTA 10

Muitos se perguntavam: “Quem é esse?” quando os Panthers trocaram sua escolha de 7º round para subir 20 posições e escolher o jogador de San Jose State que mal conseguiamos pronunciar o nome.

Com muitas preocupações acerca da posição de Conerback na pré-temporada, tendo em vista que perdemos Captain Munnerlyn e Drayton Florence na free agency, “Big Play” Bené demonstrou no training camp seu enorme potencial na cobertura de passe. Um legítimo steal do front office. Formou com Josh Norman uma dupla sólida de Cornerbacks ao final da temporada.

Logo na semana 1, Bené teve um ótimo início recuperando um fumble e defendendo um passe. Na semana dois com mais um passe defendido, trouxe esperanças ao torcedor. Entretanto, uma contusão o tirou da temporada até a semana 12. Como bem sabemos, foram longas semanas… A secundária uma das piores da NFL durante esse período. Apenas quando Josh Norman e Benwikere foram titulares, a secundária se tornou um dos melhores setores do time. O produto de San Jose obteve 7 passes defendidos e 1 interceptações em apenas 6 jogos como starter.

Quem de vocês imaginou no momento de sua escolha no draft que aquele jogador de 5º round seria um sólido titular ao final da temporada produzindo ótimas jogadas? Foi sem dúvida a melhor escolha de Carolina neste draft. Um jogador que tem todas ferramentas para se tornar um “shutdown” CB.

 

Big Play Bene

Melhor Momento: No massacre sobre os Saints na semana 14 teve uma das interceptações mais inesquecíveis de toda temporada.

 

RB Tyler Gaffney: 6th round, 204 overall: Tyler Gaffney – Nota: –

Um jogador que prometia bastante no training camp mas que, com uma lesão no joelho, foi dispensando pela franquia. Sem nota.

 

OG Andrew Norwell: Undrafted – Nota: 10

Como esperar que um calouro undrafted termine o ano como o melhor jogador de um setor do time? Foi exatamente isso que aconteceu com o guard que jogou pelos Buckeyes em sua carreira universitária. Aliás, como esse monstro não foi draftado?

Norwell estreou como starter na semana 7 e não saiu mais do time. Foi um dos melhores guards de toda a NFL segundo a Pro Football Focus neste período. Com um estilo de jogo intenso e agressivo, foi importantíssimo fator para o renascimento de Jonathan Stewart e do jogo terrestre, que sofria com a falta de espaços e bloqueios por parte da linha ofensiva. Deu gosto ver esse garoto entrar no time e jogar com tamanha intensidade. Era o que faltava para a linha ofensiva. Parabéns aos scouters de Carolina, um verdadeiro steal! Com Norwell e Turner estamos muito bem na posição de guard para os próximos anos.

Nesse vídeo podemos ver um pouco da intensidade desse jogador:

Melhor Momento: Semana 7 quando entrou e não mais saiu do time titular.

 

WR Corey “Philly” Brown: Undrafted – Nota: 8.5

Outro verdadeiro steal do front office! Coincidentemente mais um produto dos Buckeyes que veio como undrafted e não decepcionou.  Com um começo não muito bom como retornador de punts e kickoffs, ganhou uma chance como recebedor e foi muito bem. Teve algumas ótimas jogadas, conquistando first downs. Trouxe a velocidade em profundidade de que o ataque precisava – marcou 2 TD de longa distância. Além do mais demonstrou ser uma grande arma para jogadas de end around e reverse. Uma temporada excelente para um undrafted. Sem dúvidas será um jogador de grande utilidade para a próxima temporada. Pode evoluir ao ponto de ser tornar um dos melhores recebedores do time nos próximos anos. Vamos aguardar.

corey brown

 

Melhor Momento: Apesar dos lindos TDs de profundidade, impossível esquecer dessa jogada sensacional em retorno de punt que nos fez conhecer o jogador.

Demais undrafted rookies:

David Foucault – Nota: 5
Com inúmeras contusões na linha ofensiva, foi titular um jogo e jogou muito mal. Entretanto, tem tamanho ideal para ser um jogador de sucesso. Quem sabe, com muito trabalho e evolução, em algumas temporadas esse jogador cause barulho?

Adarius Glanton – Nota: 8

Foi um bom jogador de Special Teams durante toda temporada e substituiu o contundido AJ Klein ao final da temporada. Jogando como starter foi bem. Demonstrou velocidade e instintos. Excelente contratação por parte do front office. Será muito útil ao depth chart nos próximos anos.

 

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Sobre o Autor

Estudante de Direito, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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