Entendendo a filosofia de Dave Gettleman

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No dia 17, enquanto estavamos curtindo o Carnaval no Brasil, todos os olhos no mundo do Futebol Americano se voltaram para o NFL Scouting Combine, evento onde os melhores prospects vindo do college football realizam testes físicos e mentais para as franquias avaliarem suas condições.

São de praxe as coletivas de imprensa com técnicos, general managers, jogadores, etc antes dos testes. Não foi diferente com nosso GM Dave Gettleman e nosso HC Ron Rivera no dia que anteviu os primeiros testes com jogadores de linha ofensiva.

As colocações de Dave Gettleman ditas em sua entrevista podem nos dizer muito sobre quais rumos serão tomados pelo front office da franquia nesta offseason no que diz respeito ao processo do draft, free agency, dispensas, entre outros. Para não perder tempo traduzindo toda a entrevista, escreverei em linhas gerais a principais colocações ditas por nosso GM e o que suas palavras podem significar em termos de movimentações pelo front office no decorrer da pré-temporada.

Sobre a classe de jogadores elegíveis para o draft:

Gettleman avaliou em poucas palavras a classe de jogadores que se elegeram ao draft deste ano:

Disse sobre o grupo de offensive tackles, sem dúvidas nossa posição mais carente de bons jogadores, e julgou um grupo grupo bem profundo, com muitos jogadores de qualidade que poderão estar disponíveis nos últimos e intermediários rounds do draft.  Disse sobre a classe de wide receivers que, embora não seja tão boa quanto a do ano passado, discutivelmente a melhor da história do draft, possui bons valores. Disse também que o grupo de running backs possui boa qualidade. E encerrou dizendo sobre a classe de jogadores de linha defensiva, que avaliou como bem interessante.

Uma coisa pode ser extraída dessa avaliação de nosso GM: não fiquem surpresos se escolhermos um jogador de linha defensiva com a 25ª escolha do draft. Gettleman não terá medo de escolher um DE ou até um DT se estiverem disponíveis jogadores de grande qualidade dessas posições no momento da escolha. Sua filosofia diz muito respeito à três máximas: correr com a bola, parar a corrida e pressionar o  quarterback adversário. Um football clássico que trouxe sucesso em sua passagem pelos Giants , que agrada o dono da franquia Jerry Richardson e que ele não abrirá mão. Não esperem qualquer draft de nosso GM em que não sejam escolhidos jogadores de front seven nas três primeiras escolhas.

Sobre a possibilidade de draftar um WR nos primeiros rounds:

Se tem uma máxima que expressa a filosofia do Dave Gettleman no draft seria, sem sombra de dúvidas, “melhor jogador disponível”. Não esperem que ele mude sua filosofia neste ano.

Vale lembrar a última offseason, enquanto muitos mock drafts colocavam o Panthers draftando um OT dentre os 2 primeiros rounds do draft, inclusive muitos colocavam o tackle Morgan Moses em nossa 28ª escolha, escolhemos o espetacular WR Kelvin Benjamin e o talentoso DE Kony Ealy. Morgan Moses caiu para o 3º round e foi escolhido pelo Washington Redskins, onde não teve muito sucesso em seu primeiro ano.

Dave Gettleman não pauta suas escolhas no draft de acordo com as maiores necessidades do time. Sua filosofia é satisfazer as maiores necessidades com a free agency e draftar sempre o melhor jogador disponível, se coincidir em ser uma carência do time, ótimo.

Quanto à posição de Left Trackle:

Nosso LT titular Byron Bell, que é um bom jogador para o depth mas não tem qualidade para ser titular, será um free agent nesta temporada e muito se tem dito sobre a possibilidade de sua saída com a escolha de um potencial LT via draft ou via free agency. Quanto à renovação de seu contrato Gettleman não respondeu. Ademais, reiterou sua posição de “draftar” o melhor jogador disponível. Essa é sua filosofia e ele não vai mudá-la.

Com a boa qualidade do grupo de tackles esse ano, é provável que o jogador que protegerá o lado cego de Cam Newton venha nos primeiros rounds, caso os melhores estejam disponíveis nos momentos das escolhas.

Sobre o Salary Cap:

Como sabemos, Gettleman foi contratado para tirar a franquia do grande buraco que o nosso ex-general manager Marty Hurney nos trouxe no que diz respeito ao salary cap. Com uma situação contratual catastrófica deixada por Hurney, Gettleman vem fazendo um excelente trabalho e ano após ano nos encontramos em uma melhor posição de teto salarial.

Posto isso, não esperem loucuras feitas pelo GM nessa free agency indo atrás de jogadores como Dez Bryant, Demaryus Thomas, DeMarco Murray etc. O processo de recuperação do teto salarial ainda irá perdurar por alguns anos. Mas, como já dito pelo GM, poderemos mirar em jogadores de maior relevância e qualidade comparados aos contratados ano passado na free agency.

Sobre isso, ele foi bem preciso: “Não estamos mais comprando na Dollar Store, mas ainda não estamos comprando na Tiffany”.

Sobre a situação de DeAngelo Williams:

O running back mais prolífico da história dos Panthers poderá deixar a franquia nesta offseason. Com uma temporada ruim, sofrendo com inúmeras lesões, com a boa temporada de Fozzy Whittaker, com a oportunidade de salvar dinheiro com seu corte e, sobretudo, com o ressurgimento de Jonathan Stewart seus dias em Charlotte podem estar chegando a um fim.

Gettleman parece estar lidando melhor com a situação de DeAngelo em comparação à sua grande gafe cometida em sua gestão: cortar o maior ídolo da torcida, Steve Smith.

Ele vem conversando muito com DeAngelo e reconhece as dificuldades que ele passou na última temporada. Mas como Gettleman costuma não colocar doses de emoção em suas escolhas, a movimentação mais provável será o corte do corredor.

Quanto ao caso Kraken e a possibilidade de draftar jogadores com problemas de violência doméstica:

Dave Gettleman disse que não vai falar nada até que o Greg Hardy saia da Exempt List da NFL. Apesar da pressão dos colegas de time para a permanência do camisa 76, nenhuma decisão será tomada antes que haja uma posição da liga.

Temos sorte de ter um General Manager sóbrio, racional, frio e estrategista que não tem medo de tomar duras decisões que são as melhores para o futuro da franquia à longo prazo, ainda que, de imediato, não soem tão bem aos torcedores. Soma-se isso a seu vasto conhecimento do processo de scouting, como temos visto com os últimos excelentes drafts que levaram o time a vencer a divisão dois anos seguidos.

Não tenho dúvidas que teremos mais um grande draft e trilharemos, com jogadores jovens e talentosos e com uma situação de teto salarial equilibrada, nosso caminho ao SuperBowl.

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Sobre o Autor

Estudante de Direito, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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