[HISTÓRIA] – Jake Delhomme

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Em 2001 o Carolina Panthers teve uma das piores temporadas de sua história com record de 1-15, motivos pelo qual trouxe John Fox para assumir o posto de Head Coach. Nessa época, dúvidas pairavam acerca do sucesso da franquia recém formada, que havia chegado aos playoffs em apenas  uma oportunidade desde sua criação.

Uma pequena melhora em 2002 assinalou uma possível mudança de patamar de um time ainda em formação com jogadores jovens e talentosos como um tal Steve Smith e o recém chegado via draft Julius Peppers, dois que viriam a ser grandes jogadores na história da NFL. Entretanto, faltava algo.

Faltava alguém confiável na posição mais importante do esporte, o Quarterback, que é, indubitavelmente, o símbolo de toda franquia. Ainda que tivéssemos bons talentos, o time era visto por todos como um dos medianos da liga e que provavelmente não chegaria nem perto dos playoffs. Faltava uma liderança na principal posição do time que colocasse sua cara a tapa nos momentos difíceis. Essa situação mudou, logo no primeiro jogo da temporada de 2003.

Levando uma surra de 17-0 neste jogo contra o Jacksonville Jaguars, John Fox resolveu sacar o QB titular Rodney Peete no intervalo e colocar Jake Christopher Delhomme,  que lutava para ser o QB titular de alguma franquia da NFL pela primeira vez em sua carreira, iniciada em 1997.

Delhomme emocionado em sua despedida dos Panthers.

Delhomme emocionado em sua despedida dos Panthers.

Nascido em 1975 em Breaux Bridge no estado de Louisiana, Jake Delhomme jogou futebol americano desde criança. No college teve uma carreira sólida pela University of Louisiana at Lafayette, onde bateu inúmeros recordes da universidade e conquistou o título de sua conferência por duas oportunidades. Não foi draftado, mas foi escolhido para fazer parte de uma organização da NFL, e, após temporadas amargando a reserva, foi para a NFL Europe onde obteve algum sucesso.

De volta à liga americana, chegou ao practice squad dos Panthers em 2003 para lutar por uma possível posição no roster. Fez um bom training camp e ficou à espera de uma oportunidade como titular, à qual obteve logo no primeiro jogo, como já dito. Nesse fatídico jogo supracitado, o QB estreante demonstrou uma vontade de vencer incrível  e lançou três touchdowns, sendo um deles para virar a partida faltando 16 segundos de jogo e conquistar sua primeira vitória em Carolina. Ali ganhou a posição de titular e caiu nas graças dos torcedores.

Esse emocionante jogo foi uma pequena mostra da qual seria uma das temporadas mais fantásticas de um time na história da liga. Vale frisar que, com Delhomme undercenter, os Panthers obtiveram 8 vitórias de virada no 4th quarter, feito que nenhum QB tinha alcançado na história da liga em apenas uma temporada. Jake gostava de emoções.

Delhomme no Super Bowl de 2003

Delhomme no Super Bowl de 2003

 

Ao final da temporada, que foi detalhada nesse post, chegamos ao tão sonhando Super Bowl. Jake teve uma grandiosa partida que, infelizmente, não foi suficiente para trazer o Lombardi Trophy para o povo das Carolinas. No entanto, foi o suficiente para garantir admiração e respeito de todos os torcedores. Foi sob seu comando que os Cardiac Cats surgiram e plantaram a semente que tornou a torcida dos Panthers uma das mais apaixonadas da liga.

Jake pode não ter o hype que Cam Newton tem,  pode não ter o talento e atleticismo que Cam Newton tem, pode não ter os números que Cam Newton tem, pode ter tido um final melancólico com a camisa azul e preta. Contudo, foi ele que encarnou o espírito de perseverança de Sam Mills  e disseminou essa filosofia para todos os torcedores, afinal, nunca deixou de dar seu melhor. Foi um verdadeiro líder e um grande companheiro de time que, mesmo nos piores momentos, nunca fugiu da responsabilidade de carregar dois estados nas costas.

Como ele mesmo disse em sua despedida de Charlotte em 2009, ele quis mudar o Carolina Panthers. E, saiba Jake, você conseguiu. Talvez eu não estivesse aqui escrevendo esse texto se Jake Delhomme não tivesse mostrado para o mundo que lá nas Carolinas o futebol americano pulsava forte.

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Sobre o Autor

Estudante de Direito, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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