[HISTÓRIA] – Sam Mills

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“When I found out I had cancer, there were two things I could do — quit or keep pounding. I’m a fighter. I kept pounding. You’re fighters, too. Keep pounding!

Traduzindo…

“Quando eu descobri que tinha câncer, tive duas opções do que fazer: Sair ou continuar batendo (Keep Pounding). Eu sou um lutador. Eu continuei batendo. Vocês são lutadores também. Continuem lutando!”

Essa citação serviu de motivação para os 53 jogadores dos Panthers que estavam prestes a batalhar contra a equipe de Dallas, nos playoffs de 2003/04. Ela foi dita por ninguém menos que o eterno número 51 da nossa franquia, a lenda, Sam Mills. E faltando exatos 51 dias para o Kickoff dos Panthers na temporada, nada mais justo do que nosso site, contar um pouco da história desse guerreiro.

Samuel Davis Mills Jr nasceu Neptune City, New Jersey sendo apenas mais um dos 11 filhos. Desde criança gostou de jogar futebol com os irmãos mais velhos, mostrando desde criança sua capacidade de jogar com maiores que ele. Sam cursou seu ensino médio na Long Branch High School, onde se tornou um jogador de destaque, além de ser um wrestler campeão de vários torneios, como o Estadual. Até hoje é considerado o maior atleta que já passou pela escola. Mas infelizmente, apesar da sua demonstração atlética, seu 1,75 metros retirou a atenção das grandes universidades.

Com isso, Sam foi cursar a Montclair State University, uma universidade pouco conhecida, que joga apenas a 3ª divisão do futebol americano universitário. Mesmo assim, Mills demonstrou novamente sua grandeza, marcando sua história na universidade detendo até hoje os recordes de tackles na carreira (501), na temporada (142) e em um jogo (22). Apesar dos números expressivos, seu tamanho novamente foi usado como desculpa das franquias e, com isso, o jogador acabou sem ser draftado. Mas, por curiosidade foi o único dos 11 filhos a conseguir um diploma.

Sam Mills ainda participou de dois training camps, nos quais acabou sendo cortado. Primeiramente com Cleveland Browns e depois com Toronto Argonauts, da CFL. Com essas recusas, Sam deu uma pausa no futebol e arrumou um emprego onde ensinava fotografia e era assistente do time de futebol na East Orange High School em New Jersey, mas por pouco tempo.

Isso porque em 1982 ocorreu um open tryout (uma espécie de peneira), para o Philadelphia/Baltimore Stars time da extinta USFL. Mills conseguiu entrar no elenco, e logo assumiu a liderança do time. Durante a curta existência da liga e, consequentemente do time, que durou apenas 3 anos, Mills liderou sua equipe a 2 títulos. Além disso, foi nomeado 3 vezes ao All-USFL team e é membro USFL’s All-Time Team. Segundo especialistas, é um dos melhores jogadores defensivos (ao lado de Reggie White) na história dessa liga.

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Sam Mills em frente da sua estátua em Charlotte

Após o título de 1985 da USFL, o então técnico dos Stars, Jim Mora, foi contratado pelo New Orleans Saints e levou junto com ele o “melhor jogador que já treinou em sua vida”. Em New Orleans teve bastante destaque no Dome Patrol (Grupo de linebackers que aterrorizou a NFL nos anos 80 e 90). Ali ele ficou conhecido como “General de Campo”, graças a sua incrível capacidade de leitura no pré-snap, lembrando Peyton Manning sendo que no lado defensivo. Com esse destaque imenso, ele acabou sendo nomeado ao Pro Bowl por 4 temporadas (1987, 88, 91 e 92).

Como o Saints insiste na incompetência, não renovaram o contrato de Mills, com isso Dom Capers (antigo assistente em New Orleans) contratou o LB como Free Agent. Mills imediatamente se tornou líder da defesa do então time estreante. Sua melhor temporada pela nossa franquia ocorreu em 1996, culminando com nossa primeira vitória nos playoffs. Nessa temporada Mills teve 90 tackles e 5.5 sacks, além de ter retornado um Fumble recuperado para TD se tornando o jogador mais velho a ter feito isso (37 anos e 174 dias). Esses números e suas atuações cheias de paixões além de ter impulsionado os Panthers, lhe levaram ao seu ultimo Pro Bowl (1996).

Após a temporada seguinte (1997), Sam Mills se aposentou, sendo posto imediatamente no Hall of Honor da franquia de Charlotte (até o começo de 2013 foi o único jogador). E no seu discurso de indução à esse mérito ele demonstrou toda sua humildade e carisma falando “Vocês tão falando de um cara que foi chutado de um estádio em Cleveland, de outro em Toronto e que agora será parte permanente de um em Charlotte. Acreditem, isso é muito especial para mim.”

Graças a sua inteligência defensiva, foi imediatamente integrado ao staff da franquia, mantendo sua liderança com os jogadores. Já em 1999, assume o cargo de Treinador de Linebackers, cargo que manteve até a ultima temporada antes do seu falecimento.

Infelizmente, em agosto de 2003, Sam foi diagnosticado com câncer de intestino e os médicos lhe deram alguns meses de vida. E nesse momento que ele pensou o que falou no discurso no início do post, e ele realmente não desistiu, continuou batendo. Em determinado momento da temporada em que os Panthers foram ao Super Bowl, ele fazia sessões de quimioterapia nas segundas, terças e quartas, voltava a treinar o time de quinta a domingo(dia de jogo normalmente), e a partir de segunda voltava ao tratamento. Isso inegavelmente estimulou os Cardiac Cats, culminando à chegada ao Super Bowl. Sam veio a falecer em 18 de abril de 2005.

E se o legado desse herói, que Sam Mills foi, pode nos dizer algo, é nunca desistir. Ele foi um homem que “não tinha tamanho pra jogar futebol americano”, ele não escutou! “Que nunca iria jogar na NFL”, ele não escutou! “Que só tinha alguns meses de vida”, ele não escutou! “que não seria bom continuar treinando o time durante seu tratamento”, ele não somente não escutou, como levou esse time ao Super Bowl!

Então Panther Nation, a partir desse texto espero que entendam o motivo dessa lenda ser a ÚNICA camisa aposentada da franquia e com todo merecimento que lhe é cabido. E se algum dia encontrar uma dificuldade em sua vida lembre-se de Sam Mills e…

KEEP POUNDING!!!

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Sobre o Autor

Estudante de Engenharia Civil, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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