Jerry Richardson precisa parar de tratar o Panthers como família se quiser ser campeão

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Ontem(17/07), uma notícia chocou toda a mídia e os torcedores do Panthers, o dono Jerry Richardson demitiu o General Manager Dave Gettleman. O choque se deve a uma série de questões, uma delas é o tempo da demissão. Por que demitir só agora faltando poucos dias para o início do training camp? Sabemos que é difícil julgar o tempo correto da troca de general managers. Em um universo paralelo, já dizia o José Trajano americano: “Qual o tempo certo de se demitir um general manager?”

Mas certamente demitir o GM no meio de Julho não seria a resposta para essa pergunta. Primeiro porque toda a estratégia montada para o elenco da temporada de 2017 já foi tomada na free agency e no draft. Sem falar que novamente o novo general manager terá um Head Coach que não foi escolhido por ele, já que Ron Rivera continua no cargo independente de quem assumir como GM.

Gettleman teve uma offseason bem sólida, um Draft excelente e adicionou alguns jogadores importantes na free agency. Sim, a contratação pelo LT Matt Kalil pelo preço pago foi um erro grotesco, mas apesar disso, todo o restante da offseason ele fez coisas certas.

Claro que a demissão inesperada de Gettleman fez muitos levantarem as sobrancelhas e se questionarem o real motivo disso. Muitos boatos surgiram, mas o que parece mais crível é que Gettleman estava dificultando a renovação dos contratos de Thomas Davis e Greg Olsen. Thomas Davis possui apenas mais um ano de contrato e Greg Olsen ainda possui dois anos restantes.

Para entender esse boato é preciso voltar aos tempos de Marty Hurney como General Manager. Hurney, conhecido como um gastão no time e que nos colocou em uma situação infernal de salary cap, renovava com praticamente todos os jogadores que tinham uma relação com a comunidade das Carolinas. Para lembrar alguns de seus movimentos, ele renovou com DeAngelo Williams por 5 anos e 43 milhões de dólares em 2011, para efeito de comparação, hoje 6 anos depois e com o salary cap muito mais alto, o RB mais bem pago da liga é LeSean McCoy com um contrato de 5/40 milhões e o segundo é Doug Martin com 5/35. O LB Thomas Davis, depois de ter sofrido diversas lesões de ACL, algo que não saberíamos se ele iria voltar a jogar em alto nível – ele voltou -, assinou um contrato de também 5 anos por 36.5 milhões de dólares. Charles Johnson recebeu um contrato de 72 milhões por 6 anos, até hoje sendo considerado um dos piores contratos da história da NFL. Jon Beason, que mais tarde foi trocado pelo Gettleman, recebeu um contrato de 50 milhões por 5 anos, o tornando o MLB mais bem pago da história da NFL. Sem falar no fatídico ano de 2010 quando terminamos 2-14 e Hurney renovou praticamente todo o time para a próxima temporada.

A demissão de Hurney e contratação de Dave Gettleman foi um extremo ao outro nessa mentalidade. Gettleman não tinha medo de fazer o que ele julgava ser melhor para o time no longo prazo, doa a quem doer. Foi assim com Jon Beason, Steve Smith, DeAngelo Williams e mais recentemente com Josh Norman. Pode  discordar de algumas, mas no final das contas, todas essas duras decisões se pagaram ao longo do tempo.

Richardson viu acontecendo esse mesmo tipo de coisa com Thomas Davis e decidiu intervir. Segundo Thomas Davis, ele já tinha recebido uma proposta do DG de renovar o contrato e já estavam negociando. Então, parece que Gettleman queria pagar menos em Thomas Davis, até porque Shaq Thompson está pedindo passagem para substituir o mentor.

Soma-se a isso os boatos que Marty Hurney será o novo GM interino e nós temos a receita completa de que Jerry Richardson não guia a sua franquia como deve ser guiada e nunca aceitaria ter um Bill Belichick como HC/GM, pois Bill segue a linha do que vinha sendo feito com Gettleman. “Você não é pago pela sua perfomance passada e sim pelo que pode fazer no futuro.”

Richardson é um dono leal, e por mais que esse adjetivo seja bom, ele ultrapassa o limite da lealdade nos negócios. Quem aqui já está de saco cheio de ver o logo da NFL no campo do Bank of America Stadium? Está na hora de Jerry Richardson aprender a usar o ditado “amigos amigos, negócios à parte”, ou voltaremos a ter um time medíocre cheio de jogadores recebendo contratos astronômicos.

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Sobre o Autor

Fã de Carolina Panthers desde 2011, Felipe é programador e se aventura como Running Back nas peladas tentando incorporar o espírito de Jonathan Stewart, mas o máximo que consegue é ser um Trent Richardson. Twitter: @lipevieira

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