Mike Shula precisa ir embora

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mike-shula-carolina-panthersCalma, sei que muitos que viram esse título já estão pensando: “Meu Deus, esses caras do Panthers Brasil são uns loucos, olha o que o Mike Shula fez no ano passado! Já esqueceram?” Não, nós não esquecemos, Mike Shula realmente teve a melhor temporada da sua carreira em 2015, mas apesar de tudo isso, quem acompanha o site há mais tempo sabe que criticamos o Shula muitas vezes, inclusive na temporada de 2015, então não somos mal agradecidos nem nada do tipo, mas eu quero voltar um pouco no tempo para que você consiga entender onde eu quero chegar.

Em 2011, Jerry Richardson resolveu demitir o Head Coach John Fox, justificando que o jogo de Carolina tinha se tornado entediante por culpa do técnico. Lembrem-se que John Fox é o dono da célebre frase “O Punt não é uma jogada ruim”, uma espécie de Carlos Alberto Parreira da NFL com a sua clássica “O gol é só um detalhe.”

Para o lugar do entediante John Fox, Richardson foi atrás de Ron Rivera, até então coordenador defensivo de San Diego Chargers. Caso tenha tempo, sugiro que assista a entrevista coletiva de apresentação de Rivera abaixo.

 

Nesse momento, o coordenador ofensivo ainda não tinha sido definido, mas Rivera já deixava claro que o coordenador precisaria ser agressivo e que precisaria que adaptasse o jogo conforme o adversário. Poucas semanas depois, Rob Chudzinski foi o escolhido para assumir o cargo. Importante dizer aqui que Chudzinski era praticamente um head coach do ataque, ele não era totalmente abaixo na hierarquia em relação a Rivera. Rivera decidia se iria para a quarta descida ou não, mas Chudzinski era uma voz mais ativa do que muitos coordenadores ofensivos.

De um ataque totalmente entediante para exatamente o oposto disso foi o que Chudzinski conseguiu fazer de um ano para o outro. O ataque de Carolina era o pior em 2010 e se tornou o sétimo melhor ataque com o ainda quarterback novato Cam Newton em 2011 e quebrando o recorde de jardas totais em uma temporada da franquia(ainda é o recorde atual de Carolina).

Em uma offseason, o Panthers trocou pelo TE Greg Olsen, assinou com o TE Jeremy Shockey, draftou Newton e instalou um ataque agressivo com dois tight ends mandando bombas para Steve Smith que chegou perto das 1400 jardas recebidas e o seu QB dual threat. Cam nunca passou tanto na sua carreira como em 2011.

Apesar de 2011 parecer promissor, em 2012 foi tudo por água abaixo. A conta de Marty Hurney dando overpay em meio mundo chegou, o cap estava uma bagunça gigante e a defesa colapsou. Chudzinski estava de olho em um cargo de Head Coach e partiu para Cleveland. Com a saída do coordenador ofensivo era hora de procurar um novo e decidiram promover o técnico de Quarterbacks, Mike Shula. A ideia primária era pegar alguém que já conhecesse o sistema para não mexer muito.

Mike Shula, antes de vir para os Panthers, já tinha sido coordenador ofensivo de Tampa Bay entre 96 a 99, foi o Head Coach em Alabama em 2003 e foi demitido em 2006 por ser muito conservador(risos). Lembre-se que Chudzinski tinha um cargo de coordenador ofensivo quase como um head coach ofensivo, não é o caso de Mike Shula que Rivera tem o controle. Bom para Rivera e bom pro Shula.

Rivera é do tipo que gosta de football da maneira antiga, defesa forte e socar a bola goela abaixo via corrida. Carolina football!

Com isso, nosso ataque começou a se basear mais na read option, ainda mais com o QB forte como Newton. Cada vez mais jogadas desenhadas para o Cam Newton correr apareceram no playbook. Cam Newton, o jogador mais talentoso da história dos esportes de Carolina começou a correr por fora do tackle, sem read option.

Demorou três anos para Shula chegar no ápice do ataque, com os dois primeiros sendo bem fracos e a campanha #FireShula ficando cada vez mais forte. Aparentemente, Shula acha que se bem executado, esse ataque vai funcionar sempre. Já parou para pensar que os famosos “apagões do segundo tempo” é simplesmente o técnico defensivo adversário fazendo os ajustes no intervalo enquanto o Shula continua na mesma estratégia?

Cam correu com a bola mais de 130 vezes na temporada passada, a temporada que ele mais correu na sua carreira. Você deve estar se perguntando: Mas deu certo demais, qual o problema? O problema é a longo prazo e a saúde de Newton. Lembre-se que Newton não está fazendo scrambles fugindo de big hits, Cam Newton aceita o contato e gosta disso. Shula tornou o Newton uma espécie de aríete. “Uhh, SuperCam tem o tamanho de um linebacker.” Sim, mas Super Cam não é o Superman de verdade, assim como a conta do Marty Hurney chegou, a de Cam Newton vai chegar e você pode colocar muito disso em cima de Mike Shula.

Cam absorveu mais de 900 hits na sua carreira. Muitos desses completamente diferentes do que Peyton Manning sofreu quando na iminência de ser sackado simplesmente se jogava no chão e esperava o defensor apenas dar um tapa para consolidar o sack. Sinceramente, eu já tenho a impressão que Cam está com medo de apanhar e quem pode culpá-lo? É pancada daqui, pancada dali, ele demorando a se levantar fazendo cara feia, mancando de um lado pro outro, parecendo confuso e perdido após um big hit. Falando em QBs, quando uma franquia encontra o seu quarterback, eles fazem o possível para protegê-lo e prolongar suas carreiras o máximo possível e nós estamos fazendo exatamente o oposto.

Imagine que os QBs se desenvolvem dentro dos seus sistemas ofensivos, agora imagine Cam Newton nesse mesmo sistema ofensivo pelos próximos 5 anos. Consegue vê-lo saudável? Aposto que não. Se Mike Shula não consegue fazer nem os ajustes durante o intervalo e demorou três anos para chegar nesse sistema, não acho que ele conseguirá fazer algo muito diferente disso. NFL não é college que você tem os jogadores por 4 anos, pode fazer o que quiser com eles sem se importar com seus corpos a longo prazo.

Mike Shula, pelo bem de Cam Newton e do Carolina Panthers, você precisa ir.

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Sobre o Autor

Fã de Carolina Panthers desde 2011, Felipe é programador e se aventura como Running Back nas peladas tentando incorporar o espírito de Jonathan Stewart, mas o máximo que consegue é ser um Trent Richardson. Twitter: @lipevieira

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