O renascimento da OL

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interior da linha

Nos acostumamos a conviver com uma péssima linha ofensiva nos últimos anos, sempre com alguns bons jogadores mas nunca com um conjunto que fosse capaz de proteger Cam Newton ou bloquear para o jogo corrido de maneira consistente.

Apesar das críticas da mídia e de parte da torcida com a ausência de uma escolha de primeira ou segunda rodada no Draft de 2015 para ajudar a linha ofensiva, tínhamos algumas evidências de que esse ano seria bem diferente e fomos ferrenhos defensores disso nos podcasts, no site e em discussões com outros veículos de informação. Por mais absurdo que parecia, apostávamos em uma boa temporada da linha ofensiva e tínhamos alguns bons motivos para afirmar isso que, felizmente, se confirmou na primeira metade da temporada.

A OL dos Panthers está ranqueada pelos especialistas da Pro Football Focus (PFF) como uma das cinco melhores da liga. O setor cedeu apenas 13 sacks na temporada, dado que o coloca entre as dez melhores linhas ofensivas da liga no quesito. Se o setor mantiver o nível de jogo terminará o ano cedendo cerca de 28 sacks, número extremamente inferior aos 38 sacks de 2014 ou aos 43 sacks de 2013.

Noutro giro, o Carolina Panthers é a franquia com a maior produção terrestre em toda liga, com 144.7 jardas corridas por partida, dado que muito se deve à capacidade da linha ofensiva de bloquear para abrir espaços nas corridas de Jonathan Stewart, Cam Newton e Mike Tolbert.

Ressalte-se que Michael Oher é a única escolha de primeiro round do setor, fato que, geralmente, é a receita do desastre para linhas ofensivas na liga. No entanto, em Carolina a história é bem diferente graças ao excelente trabalho do front office que foi capaz de encontrar jogadores certos, ainda que pouco badalados ou até desconhecidos, para elevar a qualidade da OL.

Nesse sentido, o RT Mike Remmers é um grande exemplo do excelente trabalho do front office comandado por Dave Gettleman em encontrar opções boas e baratas de atletas para compor o roster. Quem em sã consciência imaginaria que um jogador undrafted que passou por cinco franquias durante dois anos, sem ser capaz de fazer o roster em nenhuma delas, conseguiria ser titular e atuar em bom nível em Charlotte? Encomendem uma estátua para o velho Gettleman.

mitosTodo esse sucesso do setor na temporada passa, mormente, pela solidificação do interior da linha, com a evolução dos guards segundanistas Trai Truner e Andrew Norwell. Ambos vem jogando em altíssimo nível, estando ranqueados pela PFF como 5º e 10º melhores de suas posições na liga nessa primeira metade da temporada. Ademais, basta observá-los em ação para constatar a maneira agressiva e segura com que jogam, tanto na proteção do passe, quanto nos bloqueios para corrida. Os próprios veteranos ficam espantados com tamanha energia dos jovens em ação, como bem ressaltou Ryan Kalil recentemente.

Por falar em um dos melhores centers da NFL, ele é prova incontroversa da importância da dupla de segundanistas para o nível de jogo da OL. Isso porque, Kalil é ranqueado pela PFF como o melhor center da liga nesse exato momento, dado que não assusta, mas, demonstra a significância de cercar os melhores jogadores da liga de companheiros talentosos, de modo a extrair o máximo de sua expertise. A história fica ainda melhor quando verificamos que Turner possui apenas 22 anos e Norwell 24 anos, isto é, o interior da linha poderá se consolidar durante os próximos anos.

oher-assina-panthersPor outro lado, todo esse sucesso não seria possível caso Byron Bell continuasse como o left tackle titular da equipe, jogador que, inclusive, foi transformado em guard nos Titans pela incapacidade atlética de ser um offensive tackle. Assim, a contestada contratação de Michael Oher foi de extrema importância para o salto de qualidade da linha ofensiva. Big Mike vem jogando como uma estrela? Não, ele está bem longe de ser excelente. No entanto, vem jogando bem o suficiente para não comprometer o ataque, principalmente no último quarto.

O fato é que a adição de Big Mike foi uma ótima cartada de Dave Gettleman para formar uma linha ofensiva decente e, a despeito de ceder alguns sacks e ser pouco consistente nos bloqueios para corrida, vem fazendo um trabalho respeitável, sobretudo nas últimas e mais importantes partidas, e permitindo que Cam Newton possa se tornar o Super-Homem nos momentos finais dos jogos.

Por todos motivos expostos, devemos nos manter bem animados com a linha ofensiva que é atualmente uma das melhores da liga e tem muito a melhorar nos próximos anos, com o desenvolvimento do rookie Daryl Williams, que foi o melhor offensive tackle pela PFF na pré-temporada e ainda não jogou devido a lesão, e com uma eventual aquisição de um LT de elite.

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Sobre o Autor

Estudante de Direito, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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