Pós jogo – Eagles vs Panthers

0

No confronto entre dois dos melhores time da NFC, os Panthers receberam os Eagles em Charlotte pelo Thursday Night Football, abrindo a semana 6 da NFL.

Em um jogo marcado, mais uma vez, pela deficiência dos Panthers em correr com a bola, pelos turnovers, e pelo alto aproveitamento de Carson Wentz ao conectar seus alvos, caímos diante de um ótimo Philadelphia Eagles.

No pré-jogo alertamos para a necessidade de estabelecer o jogo terrestre, e assim ajudar Cam Newton contra o ótimo front-seven dos Eagles. Pois bem, se levarmos em consideração que nosso líder em jardas terrestres da partida foi o próprio Newton, podemos chegar a conclusão de que não conseguimos executar o que foi previsto. Em mais um jogo péssimo de nossa OL abrindo espaço para as corridas, Stewart conseguiu “incríveis” 8 carregadas para -4 jardas. Se contarmos só os números dos RBs, chegaremos a 13 carregadas para 1 mísera jarda. Algo precisa ser feito rapidamente, pois não vamos ganhar uma partida em que Cam Newton precise lançar para mais de 50 passes. Foi nítido que ao final da partida ele “não tinha mais braço” para lançar da mesma forma que no início do jogo, principalmente voltando de uma cirurgia no ombro.

Já do outro lado da bola, nossa defesa começou muito bem a partida, limitando o ataque dos Eagles e seu começo fulminante, à somente 10 pontos até o intervalo. Steve Wilks vem mostrando que mudou o esquema de jogo da defesa em comparação a temporada passada, quando a defesa ainda era responsabilidade de McDermott. Foi difícil achar um snap em que Wilks não mandou blitz pra cima de Wentz. A estratégia deu muito certo na primeira etapa da partida, explorando o lado do RT reserva dos Eagles e sufocando Carson Wentz, porém, na volta do intervalo, o coordenador ofensivo Frank Reich, juntamente com Carson Wentz, conseguiu melhorar o sistema de bloqueios, evitando hurries ou sacks em momentos de blitz. Wilks continuou mandando blitz em quase todos os snaps, porém, dessa vez o ataque adversário já estava preparado e dava o tempo necessário para Wentz achar, por exemplo, Nelson Agholor, de extrema velocidade no mano a mano, contra  Shaq Thompson, que nem sonha em ter a mesma velocidade e agilidade de Agholor.

O jogo sempre esteve em disputa, tivemos chances de virar o jogo duas vezes no final, mas o braço de Cam Newton não aguentou lançar 52 vezes e caímos mais uma vez em casa nessa temporada. Erramos muito para um time que quer ganhar jogos difíceis. Newton foi interceptado três vezes na partida e tivemos muitos drops, um deles inclusive, resultou em interceptação. Vimos também, muitos erros de execução de jogada, e um certo abatimento do time após a saída de Luke Kuechly, por mais uma concussão.

MVPs

Jullius Peppers

Bem vindo ao clube dos 150+ sacks, Jullius. Vocês estão vendo um futuro hall of fame jogando. Com o sack da partida contra os Eagles, Peppers se torna o quarto maior sackador da história da NFL com 150 sacks, e se tornou o único jogador a conseguir o feito de 150+ sacks e 10+ interceptações. Incrível!

Peppers fez um ótimo primeiro tempo contra Halapoulivaati Vaitai, RT reserva dos Eagles, anotando 1 sack e alguns hurries pra cima de Carson Wentz. No segundo tempo não teve o mesmo desempenho, visto que a proteção do lado dele melhorou muito.

Strip sack de Julius Peppers no primeiro drive da partida

Luke Kuechly

 

Semana passada, falamos do raro mal jogo que Luke fez, essa semana falaremos do excelente jogo que ele vinha fazendo enquanto esteve em campo *emoji chorando*. Doug Pederson disse a uma repórter no intervalo, que Luke parecia saber as jogadas dos Eagles antes mesmo delas acontecerem, e isso prejudicou muito o ataque deles. Infelizmente, Luke saiu no terceiro quarto com uma concussão, depois de um bloqueio no pescoço, cortesia de Brandon Brooks. Essa é a terceira concussão de Luke Kuechly em três anos, preocupante.

Blitz do Luke fazendo o Wentz pensar mais rápido e errar o alvo

No vídeo acima, um exemplo de que Luke já sabia qual era a jogada antes do snap. Quando acontece o snap ele já da os primeiros passos na direção do GAP, para onde a corrida está desenhada. Monstro!

Kelvin Benjamin

Mais uma partida sólida do WR 1 dos Panthers. Seu nível de execução de rotas aumentou consideravelmente e Cam tem mais confiança nele do que ano passado. Vale ressaltar que Kelvin Benjamin possivelmente machucou o joelho no final da partida, e mesmo assim voltou para ajudar o time. A câmera focou no joelho de KB e certamente alguma coisa estava fora do lugar.

Execução de rota nota 10 de KB, terminando com uma sensacional recepção no ar. Se prestar atenção só no jogador que está marcando o Benjamin a jogada fica mais bonita, o double move da rota tira o CB completamente da jogada. Vale ressaltar a ótima presença de Cam Newton no pocket.

Rota out entre as zonas da defesa, muito bem executada. Newton esperou o momento em que o nickle dá um passo à frente para marcar o flat, e soltou a bomba para a ótima recepção de Benjamin.

Ainda tenho a impressão de que Benjamin está sendo mal utilizado na red zone, precisamente nas últimas 10 jardas do campo. Temos que aproveitar o tamanho desproporcional do Benj em relação aos CBs. Tivemos uma tentativa de explorar essa vantagem em uma jogada no terceiro quarto, mas Newton e Benj não estavam na mesma página. Jogada abaixo:

Rota fade de Kelvin Benjamin na linha de 5 jardas, essa bola o QB tem que lançar atrás do WR, o famoso back shoulder throw. Essa jogada permite apenas ao WR a chance de recepção, “eliminando” a ameaça de interceptação ou desvio, mas Newton lançou a bola na frente de Benj e a recepção não aconteceu.

NOT MVP’s

Jogo terrestre

Pela segunda semana seguida, não conseguimos implantar o jogo terrestre de jeito nenhum! Shula tentou de tudo, corridas de todos os lados, de vários gaps, com jogadores diferentes, mas foi em vão. Até Fozzy entrou em um snap para um toss, perdeu 6 jardas e ainda saiu machucado com uma torção no tornozelo. E conforme dito no início, essa deficiência no jogo terrestre pesou muito no resultado da partida, pois Newton foi obrigado a lançar muitos passes, já que entregar a bola para o RB era sinônimo de perda de jardas, e o braço recém recuperado de uma cirurgia, não aguentou até o fim.

Algo precisa ser feito. Podemos citar a falta que Ryan Kalil fez, porém, toda a OL teve sua parcela de culpa. Trai Turner fez uma péssima partida, teve um pesadelo enfrentando Fletcher Cox “baleado”. Shula tentou ser criativo nas chamadas terrestres, mas não adiantou muita coisa. Vale destacar que a defesa dos Eagles é ótima contra a corrida e tivemos uma prova disso na quinta-feira. Semana que vem enfrentaremos uma defesa teoricamente fraca contra corrida, vamos ver o resultado.

Nessa jogada, Matt Kalil, Trai Turner, Daryl Williams, Chris Manhertz e Tyler Larssen não conseguem segurar seus bloqueios e muito menos abrir espaço pro Stewart.

Matt Kalil me dá saudades do Michael Oher. Vinny Curry engoliu o #75 de azul.

Coaching staff

Precisamos falar sobre a falta de confiança que Ron Rivera tem em seus jogadores. Vamos contar uma história: estávamos com a bola no final do primeiro tempo, com 5 segundos no relógio, na linha de 40 jardas do campo de ataque. Graham Gano estava aquecendo para possivelmente tentar um chute longo. O que é mais provável que aconteça? Um K tentar um FG para mais de 50 jardas, ou uma hail mary com a defesa adversária preparada para a jogada? Se você escolheu a primeira opção, está certo. A não ser que seu QB vista a número 12 e se chame Aaron Rodgers, você arrisca o field goal. Mas Ron Rivera tem mostrado confiança zero em seu Kicker, que vinha mostrando muito potencial e confiança.  Por isso, Ron mandou o time de ataque para campo e arriscou uma hail mary que quase resultou em uma interceptação, e a bola nem tinha chegado na endzone por falta de tempo no pocket.

Outro caso parecido envolve nosso CB #2, Daryl Worley, que em alguns snaps foi substituído pelo nickel CB Seymour, por opção do treinador. Essa substituição teve influência direta no jogo, pois Seymour “entrou na fogueira” para marcar Alshon Jeffrey e perdeu nos dois lances em que foi exigido.

Ao ser questionado no final da partida sobre a substituição, Worley disse que foi exigência do técnico Ron Rivera e que se ele acha que foi o melhor a ser feito para o time, “whatever”, ele só quer ver os Panthers ganhando.

Conclusão

Não fizemos uma péssima partida, temos de lembrar que enfrentamos uma excelente equipe, com muitos jogadores talentosos e a vitória escapou por pouco. Felizmente temos agora uma “mini bye”, ou seja, 10 dias para recuperação de contusões até a próxima partida, como a concussão de Luke que ainda não temos muitas informações, só a de que ele voltou bem em um meeting do time no dia seguinte. Não é o fim do mundo essa derrota, ainda estamos com um ótimo record (4-2) com muitos confrontos diretos dentro da divisão. As fraquezas estão expostas, e agora temos 10 dias para trabalhar numa melhora. Estamos na torcida!

#KeepPounding

Compartilhe

Sobre o Autor

Fã do Carolina Panthers desde 2011, João Marcelo começou a se aventurar no mundo de matérias dos Panthers em 2014 onde criou um blog exclusivo dos Panthers. Tem como ídolo Luke Kuechly e espera que ele vire o próximo Ray Lewis.

Comente