Precisamos falar sobre Mike Shula

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Precisamos falar sobre Mike Shula.

Não existe no Brasil uma pesquisa profunda e de grande abrangência que revele o tamanho das torcidas que os times da NFL possuem no País, mas é possível afirmar com certeza e com números, que o interesse do brasileiro pelo Futebol Americano cresce a cada ano que passa. Segundo dados divulgados pela ESPN, a audiência do futebol americano entre 2013 e 2016 cresceu 800%, o que nos dá uma noção do quanto o esporte tem conquistado fãs por aqui.
Dentro dessa realidade podemos listar alguns perfis de espectadores:

. Assiste esporadicamente, apenas por lazer.
. Assiste esporadicamente por lazer e torce por um time
. Torce por um time e acompanha todos os jogos desse time.
. Torce por um time, acompanha todos os jogos desse time e mais os que forem possíveis assistir.
. Torce por um time, acompanha todos os jogos desse time e mais os que forem possíveis assistir, além de tentar se aprofundar nos aspectos táticos e regras do jogo.
. Torce por um time, acompanha todos os jogos desse time e mais os que forem possíveis assistir. Já estudou e se aprofundou em todas as regras e aspectos táticos do jogo bem como a história do esporte. Esses caras entendem muito e continuam desenvolvendo seu conhecimento!

* Existem perfis diferentes que não estão na relação acima, pois este quadro já ilustra bem o ponto a ser discutido no texto.

Com o crescimento do esporte, mais pessoas estão deixando de ser “mero espectador” para se tornar “fã de Futebol Americano” e acompanhar não apenas seu time, mas também todos os jogos possíveis. Um número ainda “pequeno” de pessoas, já se aprofundou no esporte de tal maneira, que conseguem discutir rotas, bloqueios, playbook, matchups… e tudo mais que envolve uma partida.

Embora não seja possível mensurar o tamanho de cada torcida no Brasil, alguns portais de Futebol Americano que tratam do assunto por aqui, realizaram pesquisas junto a seus leitores e obtiveram resultados muito próximos.

Podemos ver abaixo o “Censo” realizado pelo site Endzone Brasil no ano de 2016:

PESQUISA ENDZONE 2

http://endzonebrasil.com.br/2016/09/censo-endzone-brasil-2016-resultado/

No ano de 2017 o ProFootball também divulgou uma pesquisa:

PESQUISA PROFOOTBALL

http://profootball.com.br/nfl/apos-quase-30-mil-respostas-qual-a-maior-torcida-da-nfl-e-do-college-de-acordo-com-nosso-censo/
As pesquisas indicam a torcida do Carolina Panthers em 14ª e 17ª posição respectivamente. Deixando de lado todas as variantes possíveis, e tentando estabelecer uma média dentro dessas duas pesquisas, vamos assumir apenas neste texto, que temos a 15ª maior torcida de Futebol Americano do Brasil. Partindo dessa estatística, podemos dizer que existem torcedores suficientes para se criar uma certa “cultura”, levantar discussões, subir hashtags e tudo mais que uma grande torcida é capaz de fazer, ok? Agora imagine os perfis de torcedores que descrevemos anteriormente, e tente imaginar quantos torcedores do Carolina Panthers em território Nacional já se aprofundaram no esporte a ponto de discuti-lo além das impressões, trazendo números e conhecimento?
Não é possível entregar números sólidos, mas é de fácil conclusão… Pouquíssimos.

Conforme mencionado acima, temos uma torcida grande o suficiente para criar debates, e criamos…  Recentemente Mike Shula tem sido questionado por uma parte da torcida que critica a insistência do Offensive Coordinator em correr pelo meio em muitas oportunidades seguidas, creditando a ele, por exemplo, os apagões que o ataque sofre no último quarto das partidas. Essa suposta falta de criatividade nas chamadas terrestres gerou mais críticas nessa temporada, devido à chegada de dois jogadores dinâmicos, Christian McCaffrey e Curtis Samuel , que aparentemente não estão sendo bem utilizadas por ele.  Este que vos escreve, ficou com esta mesma impressão, principalmente nos últimos jogos, e pra ser ainda mais preciso, nos último quartos desses jogos. Sou do tipo que torce pelos Panthers, acompanha todos os jogos desse time e mais os que forem possíveis assistir, e, além disso, procura se aprofundar nos aspectos táticos e regras do jogo.

A partida de ontem foi um grande exemplo de como Mike Shula pode ser brilhante, mesmo com o apagão do ataque no último período da partida. Portanto, acredito que seja uma ótima oportunidade para um torcedor que já estuda Futebol Americano há muito tempo (inclusive universitário) e já se aprofundou bastante no assunto, trazer um pouco de conhecimento para discussão e nos ajudar a entender se Shula é, ou não, o vilão do último quarto.
Como ele mesmo costuma dizer… Felipe Vieira, nos dê os seus 5 centavos sobre Mike Shula.

É necessário, primeiramente, lembrar que Coordenador Ofensivo é um dos cargos mais ingratos do football, pois quando tudo é feito corretamente, apenas os jogadores que executaram a jogada são lembrados, e quando dá errado, geralmente a pergunta é: “Por quê não correu?” E se correu, a pergunta é: “Por quê não passou?”.

No caso de Mike Shula, o rancor com o coordenador ofensivo vem de longa data, e por algum tempo era justificável, porém nos últimos dois jogos Mike Shula fez um trabalho excelente. (leia aqui o pós-jogo da semana 4)

No touchdown de Christian McCaffrey, Shula construiu um lindo desenho para a jogada, assista abaixo:

A jogada é uma quadruple option, Newton tem a opção de entregar no jet sweep pro Samuel, ficar com a bola e entregar pro Stewart, ficar com a bola e correr ou ficar com a bola e fazer o shovel pass pro CMC. É uma jogada muito difícil de defender. Esse conceito saiu direto do college, mais precisamente do playbook de Matt Canada, hoje coordenador ofensivo de LSU. Essa jogada faz parte da evolução do ataque que tanto se falava na offseason.

O caminho para o touchdown de McCaffrey passou por uma recepção de 57 jardas de Ed Dickson, e a jogada também foi muito bem desenhada, como se pode ver abaixo:

Adiante disso, ainda vejo algumas pessoas reclamando do playcalling supostamente conservador no final das partidas, pois Shula estaria chamando muitas corridas pelo meio ao tentar “queimar o relógio”. Nossos OTs não são grandes coisas, como todos sabem, e essa falta de qualidade limita bastante as chamadas de corrida por fora, então, independente do tempo, a corrida por fora não é uma opção tão viável para o nosso ataque.

Separei abaixo, uma jogada de corrida pelo meio onde vou explicar a chamada de Shula, no intuito de mostra como a chamada foi bem feita, mas a jogada foi “mal executada”. Esse lance é um exemplo de que nosso Coordenador ofensivo tem feito um bom trabalho no playcalling, mas às vezes a execução não sai como o planejado:

Vídeo com som

Shula tem adicionado diversos conceitos do college, e vem agregando muito na evolução do ataque, que não conta com Olsen (machucado) e não possuí uma ameaça vertical, visto que Curtis Samuel ainda não apareceu para a temporada. Pelo menos até Quinta-feira, Shula merece nossos aplausos. Vida de coordenador ofensivo é ingrata.

Esse texto pode ter acrescentado um pouco de paciência na relação entre torcida brasileira e Mike Shula, mas se não for o caso, com certeza trouxe um pouco mais de conhecimento pra quem procura entender melhor os aspectos táticos do Futebol Americano!

Abraço, Panther Nation!
# KEEPPOUNDING

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Sobre o Autor

Fã dos Panthers desde 2012, tem como ídolos Luke Kuchly, Thomas Davis e Cam Newton.

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