Turner e Norwell – Amizade inseparável

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Os consumidores de restaurantes de Charlotte que avistarem dois homens com tamanho do incrível Hulk destruindo um prato de asinhas de frango em uma quinta-feira deveriam ir até a mesa deles para darem um oi, principalmente pela importância que a dupla tem para a cidade.

Apesar de ajudarem os Panthers a se tornarem o time com mais jardas corridas por jogo na NFL, os guards segundanistas Andrew Norwell e Trai Turner não são muito reconhecidos pelos residentes de Charlotte, até em suas noites das asinhas, que virou uma tradição para os amigos.

Enquanto os fãs ainda não estão familiarizados com os rostos dos dois guards, seus companheiros de time e seus técnicos sabem tudo sobre suas habilidades para bloquear e a forte amizade entre os dois.

E isso está ótimo para eles.

“Meus companheiros comemoram comigo todas as vezes que marcamos TD. Os técnicos falam bom trabalho para mim. Estou bem” Diz Turner. “Eu só quero vencer.”

Os dois guards se alinham com o Pro Bowl Center Ryan Kalil para formar o interior da linha que ajuda o ataque terrestre a obter a marca de 144.7 jardas por jogo, a melhor da liga.

Ambos estão ranqueados no Top 10 em suas posições pelo Pro Football Focus: Trai Turner tem a quarta melhor nota entre os guards e Norwell a oitava.

“Vocês olham para caras como Andrew Norwell e Trai Turner que eram rookies no início do ano passado. Mas agora com um ano de experiência eles sabem que tem plenas condições de jogarem nessa liga.” Disse Mike Tolbert. “Leva um certo tempo para que você ganhe confiança.”

Turner e Norwell chegaram à Charlotte ano passado, mas em situações bem distintas. Turner, que cresceu em Nova Orleães, tinha apenas 20 anos quando se declarou elegível ao Draft, após 2 temporadas jogando e 1 como redshirt. Os Panthers draftaram o garoto de 145 kg e 1,91 m no terceiro round do draft de 2014. Com absoluta confiança que ele seria forte o bastante para segurar os DL e ágil o bastante para bloquear os LB e DB nas jogadas corridas.

Já Norwell que é do subúrbio de Cincinnati, sequer foi draftado. Após sua senior season(sendo titular em 3 das 4 temporadas) e possuindo na bagagem duas nomeações ao time principal de toda a Big Ten, os Panthers ofereceram um contrato de undrafted free agent, sendo atraídos pelo seu tamanho(1,98 m) e sua habilidade atlética.

Ron Rivera falou que se assustou negativamente quando observou o 1 vs 1 de Norwell e um DL. “Quando eu vi ele praticando junto a um DL pensei comigo mesmo: Esse cara é terrível”. Mas quando você coloca ele entre um Tackle e um Center, esse cara cai como uma luva. Individualmente, não é excepcional, mas ao colocá-lo junto ao grupo, é surpreendentemente”.

A aproximação dos dois foi praticamente forçada desde o primeiro dia. Eles jogavam na mesma posição sendo que em lados diferentes. Estavam juntos em praticamente todos os encontros e treimentos ao longo dos OTA’s e do Training Camp. “Nós fomos jogados na fogueira juntos. Nós tínhamos que saber a mesma coisa, sendo que em lados diferentes. Então estudamos juntos, tirávamos dúvidas um com outro. O que tínhamos que fazer pra estar pronto para o jogo, nós fazíamos.”.

Os dois passaram dificuldades no início graças às lesões, com Norwell perdendo os 6 jogos iniciais e Turner perdendo 3 jogos no meio da temporada. Mas a linha ofensiva finalmente se solidificou em Novembro com Turner como guard do lado direito e Norwell em seu lado oposto.

Cam Newton falou que a consistência da OL é um dos principais motivos do recorde da franquia de 11 vitórias consecutivas. E Tolbert comentou “Esse é o ponto do ataque. Eles são caras gigantes que levam outros gigantes para longe da bola, então você controla as trincheiras e ai é vitória fácil”.

Trai e Andrew ajudam um ao outro graças às suas personalidades complementares. Norwell é mais sério e sua intensidade eleva os ânimos de Turner durante o jogo. E quando Norwell está estressado Turner ajuda o mesmo a relaxar, com seu jeito calmo.

Os dois ainda estão vivendo como se estivesse na Faculdade, sem obrigações familiares e saídas após o treino para relaxar. Turner falou “Ele acabou de fazer 24, eu 22(anos). Isso ainda é faculdade pra nós. Na faculdade, eu zoava com meus colegas e ainda faço isso. Mas não temos isso o tempo todo, porque você ver o Kalil indo embora com seus filhos e os dois Mikes(Oher e Remmers) indo com suas famílias. Sobra só eu e o Andrew.”

Remmers comentou essa amizade entre os dois guards “Cara, eles são inseparáveis. Eles se uniram bastante ano passado e cresceram juntos. Eu acho que vão ser amigos pro resto das suas vidas.”. Rivera sorriu ao comentar esse fato “É uma amizade bonita. Apesar de onde nasceram e onde estudaram, chegaram nesse prédio e amadureceram juntos desde então.”.

Rivera comentou que este ano os dois estão mais confortáveis, além de terem melhorado suas técnicas de bloqueio. Remmers falou “Você pode ver quão importante é isso, para eles. Não somente nos jogos, mas também nos treinos todos os dias. É animador estar ao lado deles todos os dias.”. Tolbert comentou sobre a formação desse formidável interior da linha “Kalil sempre foi essencial, ele não é a toa que é um all-pro. Mas quando você coloca dois jovens com vontade de ganhar tanto quanto Kali, e os 3 começam a jogar como Pro-Bowlers, você vai ter o melhor ataque terrestre da liga.”.

Turner fez 4.93 s no 40-yard dash que foi o tempo mais rápido entre os guards no Combine de 2014, estando na frente inclusive do Norwell. Com relação à força, os dois concordam que na sala de musculação Trai pode parecer mais forte, mas de acordo com Turner “Mas no campo é diferente, não quero nem falar disso”, admitindo a visível maior força de Norwell.

Turner diz que Norwell lembra o Undertaker da WWE, graças a seu cabelo que não é cortado há 6 anos, e a aparência de Trai com os óculos, lhe rendeu o apelido de “O Professor”, dado por Gettleman.

“Cara, não sei explicar, mas tenho certeza que esse cara (Norwell) é meu melhor amigo dentro e fora de campo.” disse Turner.

E então os dois irão para mais um jogo no domingo, esperando sair tarde do estádio graças a vitória dos Panthers e levarão a comemoração pra comer mais asinhas na próxima quinta. E nós torcedores da franquia de Carolina, esperamos que essa amizade seja duradoura e permaneça em Charlotte mantendo o alto nível do interior da nossa linha ofensiva.

Post traduzido do Charlotte Observer.

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Sobre o Autor

Estudante de Engenharia Civil, se tornou fã dos Panthers a partir da temporada de 2011, após se impressionar com as atuações do então calouro Cam Newton, o que levou a paixão pela franquia de Carolina.

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